Novembro Azul – Um convite ao cuidado

A saúde masculina sempre foi um tema cercado de silêncio, receio e resistência. Muitos homens cresceram ouvindo que “consulta médica é só quando dói”, ou que demonstrar preocupação com a própria saúde seria um sinal de fragilidade.

Na Mello Transportes, acreditamos que essa visão precisa mudar. Cuidar de si é um gesto de responsabilidade, força e autoconsciência. É um ato que impacta diretamente sua vida, seu trabalho, sua família e o seu futuro.

Neste Novembro Azul, queremos abrir um espaço seguro, claro e direto para falar sobre saúde masculina — especialmente sobre o câncer de próstata, mas também sobre qualidade de vida, prevenção e bem-estar emocional.

Este conteúdo foi construído com base nas informações oficiais mais recentes do INCA (Instituto Nacional de Câncer) e do Ministério da Saúde (2025).

A leitura é simples. O impacto — transformador.

Por que falar sobre saúde masculina?

Quando o assunto é saúde, a maioria dos homens ainda enfrenta uma barreira cultural que passa de geração para geração: a ideia de que procurar ajuda, demonstrar preocupação ou fazer exames preventivos seria sinal de fraqueza. Esse comportamento silencioso custa vidas — literalmente.

No Brasil, os homens vivem, em média, seis anos a menos que as mulheres. Essa diferença não é determinada por fatores biológicos, mas sim pelo conjunto de escolhas, comportamentos e resistências que vão se acumulando com o tempo.

Entre os fatores que mais contribuem para esse cenário estão:

  • Resistência em procurar atendimento médico, especialmente em situações que parecem “simples” ou “suportáveis”.
  • Autocuidado negligenciado, como não tratar dores persistentes, ignorar sintomas urinários, evitar check-ups e postergar consultas.
  • Baixa adesão a exames preventivos, mesmo em faixas etárias de maior risco.
  • Maior consumo de álcool e tabaco, hábitos associados a doenças cardiovasculares, respiratórias e vários tipos de câncer.
  • Sedentarismo, que favorece obesidade, hipertensão e diabetes.
  • Maior exposição a riscos ocupacionais, especialmente em profissões que exigem esforço físico, longas jornadas ou ambiente de risco.

Dados divulgados pelo Governo Federal em 2025 mostram que 70% dos homens só procuram ajuda médica quando os sintomas já estão avançados. Quando isso acontece, muitas doenças já estão mais difíceis de tratar, exigem intervenções mais complexas e têm maior impacto na qualidade de vida.

Ou seja: os homens não adoecem mais — eles demoram mais para cuidar de si. E esta é uma realidade que pode — e deve — mudar.

Entendendo a próstata — um órgão pequeno, mas muito importante

Para compreender o câncer de próstata, é preciso primeiro conhecer a função e a importância desse órgão.

A próstata é uma glândula masculina localizada logo abaixo da bexiga, envolvendo a uretra. Seu papel principal é produzir parte do líquido seminal, que protege e nutre os espermatozoides.

Apesar do seu tamanho reduzido, a próstata exerce influência direta em funções vitais como a micção e a fertilidade. À medida que os homens envelhecem, é natural que ela aumente de tamanho — um processo chamado hiperplasia prostática benigna. Esse aumento pode gerar sintomas como dificuldade para urinar, jato fraco ou sensação de bexiga cheia.

Compreender como a próstata funciona ajuda a quebrar preconceitos, esclarecer dúvidas e tornar o tema menos intimidador. Informação prepara o terreno para atitudes mais conscientes.

O que é o câncer de próstata?

O câncer de próstata ocorre quando células dessa glândula começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando tumores que podem ser lentos ou agressivos.

Existem dois cenários principais:

1. Tumores de crescimento lento

Representam a maior parte dos casos. Às vezes, evoluem de forma tão discreta que não chegam a causar sintomas durante anos.

2. Tumores agressivos

Crescem mais rapidamente e podem se espalhar para outros órgãos, como ossos e pulmões, tornando o tratamento mais complexo.

Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de sucesso terapêutico e menores são os impactos na saúde e na rotina do paciente. A detecção precoce, portanto, torna-se uma aliada essencial.

Fatores de risco — quem deve ficar ainda mais atento

A ciência já sabe com clareza quais grupos têm maior probabilidade de desenvolver câncer de próstata.

Idade – É o fator de risco mais determinante. A maioria dos casos ocorre em homens acima dos 55 anos.

Histórico familiar – Se pai, avô ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos, o risco aumenta consideravelmente. Isso indica predisposição hereditária.

Homens negros – Estudos mostram que homens negros têm até duas vezes mais risco e, frequentemente, apresentam tumores mais agressivos — exigindo atenção redobrada.

Excesso de peso – A obesidade está associada não apenas a maior risco de câncer, mas a tumores mais agressivos e mais difíceis de tratar.

Estilo de vida – Tabagismo, sedentarismo, alimentação pobre em nutrientes, consumo excessivo de álcool e estresse elevado também contribuem para o risco.

Conhecer os fatores de risco ajuda o homem a avaliar sua própria vulnerabilidade e a tomar decisões mais seguras sobre sua saúde.

Sintomas: o corpo fala — mas o câncer de próstata nem sempre

Um dos grandes desafios do câncer de próstata é que, em sua fase inicial, ele costuma ser silencioso. Isso significa que muitos homens não sentem nada antes de a doença já estar em estágios mais avançados.

Quando surgem, os sintomas mais comuns são:

  • Dor, ardência ou dificuldade ao urinar
  • Jato urinário fraco ou intermitente
  • Necessidade de urinar diversas vezes, inclusive à noite
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
  • Sangue na urina
  • Dor óssea, especialmente em coluna, quadris ou costelas

É importante lembrar que esses sintomas também podem estar relacionados a doenças benignas da próstata, como a prostatite ou a hiperplasia benigna. Por isso, somente uma avaliação médica adequada é capaz de identificar a causa real.

Exames: como investigar o câncer de próstata

A investigação varia conforme idade, histórico familiar, sintomas e recomendação médica.

Os exames mais utilizados são:

PSA (Exame de sangue)

O PSA mede uma proteína produzida pela próstata. Embora útil, ele não é definitivo — níveis elevados podem ocorrer devido a inflamação, aumento benigno ou outras condições.

Toque retal

É um exame rápido, seguro e fundamental para avaliar características como rigidez, nódulos e tamanho da próstata. Apesar dos tabus, o toque retal salva vidas e é considerado um dos exames mais confiáveis para identificar alterações suspeitas.

💡 Nenhum desses exames isolados confirma câncer — servem como ferramentas de investigação.

Diagnóstico: qual exame confirma?

A biópsia da próstata é o único exame que confirma ou descarta o câncer. Ela é indicada apenas quando outros exames sugerem alterações relevantes.

Durante a biópsia, são coletados pequenos fragmentos da próstata, que serão analisados por um patologista.

E homens sem sintomas devem fazer exames todos os anos?

Essa é uma das perguntas mais comuns — e também uma das mais mal compreendidas.

Segundo o INCA e a Organização Mundial da Saúde:

✅ Não existe recomendação de rastreamento populacional, ou seja, não há orientação de que todos os homens façam PSA ou toque anualmente.

A decisão deve considerar:

  • idade,
  • fatores de risco,
  • histórico familiar,
  • condições gerais de saúde,
  • e diálogo entre paciente e médico.

Por que essa recomendação existe?

Porque, embora existam benefícios na detecção precoce, também existem riscos:

  • falsos positivos
  • ansiedade
  • exames invasivos desnecessários
  • tratamentos que podem causar efeitos colaterais importantes, como impotência ou incontinência urinária

✅ A melhor decisão é sempre a que é tomada individualmente, com orientação médica adequada.

Informações oficiais atualizadas – Brasil 2025

1. Estimativa para 2025

O câncer de próstata permanece entre os três mais diagnosticados entre homens, com mais de 72 mil novos casos por ano.

2. Reforço da Política Nacional de Saúde do Homem

Entre 2024 e 2025, houve ampliação das ações de prevenção, campanhas públicas e acesso à atenção primária no SUS.

3. Saúde mental em destaque

Homens apresentam maior taxa de depressão não tratada e maior risco de suicídio. O Ministério da Saúde reforça que saúde emocional também é prevenção.

4. Incentivo à mudança cultural

As campanhas oficiais de 2025 têm como foco combater preconceitos, incentivar diálogos e promover mais acesso ao cuidado preventivo.

Como cuidar da saúde na prática — 7 passos fáceis de aplicar

1. Faça consultas de rotina

Mesmo sem sintomas, procure seu médico. A prevenção começa pela conversa.

2. Mantenha hábitos saudáveis

Alimentação equilibrada, atividade física e sono reparador são pilares da saúde masculina.

3. Reduza álcool e evite tabaco

Esses hábitos aumentam o risco de câncer, doenças cardíacas e problemas metabólicos.

4. Observe seu corpo

Nenhum sintoma deve ser ignorado — escute os sinais.

5. Converse com seus familiares

Histórico familiar é determinante para o risco.

6. Fale sobre saúde com seus amigos e colegas

O silêncio também adoece. Falar incentiva outros homens a se cuidarem.

7. Busque apoio emocional quando necessário

Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.

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